São Paulo (SP), quarta-feira, 17 de junho de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – O dia era 29 de abril, em São Paulo, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, região de Pirituba, zona norte da capital paulista. E o cabo da PM (Polícia Militar), Cauan Alencar Bastos, rezou e chorou após se arrepender de atirar em um homem autista, que se envolveu em um acidente de trânsito momentos antes.
Na oportunidade, o PM, que gravou toda a ação com sua câmera corporal, deu seis tiros na vítima, o eletricista Igor Hypolito, de 29 anos. A vítima ainda reclamou que não estava conseguindo respirar, antes da chegada do resgate, enquanto uma enfermeira que passava pelo local ajudava na tentativa de estabilização.
No vídeo, o policial militar reza um pai nosso, oração católica, em voz alta, na viatura. E pede para o homem não morrer. No entanto, Igor não resistiu e faleceu dias depois no hospital de Pirituba, onde recebeu o primeiro atendimento.
Eletricista baleado por PM estava armado com faca
De acordo com o boletim de ocorrência da PM na época, o eletricista, que trabalhava por conta, dirigia o seu carro e tinha uma faca dentro dele. Então, ao se envolver em acidente de trânsito com um motoboy, o teria ameaçado com essa arma branca.
Assim, o motoboy ligou para a polícia, quando Cauan, juntamente com outro soldado, José Otávio Ribeiro, foram até o local e viram Igor com a faca. Mas, antes de descer da viatura, o cabo já começou a disparar contra Igor, que estaca com a faca na mão. O motoqueiro envolvido no acidente não se feriu.
No entanto, ao atirar contra o eletricista, o policial também quase atingiu um borracheiro que trabalhava perto. Ao reclamar da ação, foi repreendido com força antes de explicar que era trabalhador e que um dos tiros o atingiu de raspão. Ele, inclusive, mostrou os buracos na parede da borracharia, causados pelo tiro do cabo da PM.
Policial recebe telefonema da esposa
Durante a ação, já depois de atirar contra Igor, a mulher do PM liga para ele, que atende e diz o que aconteceu. Em seguida, também explica para a esposa que não pode falar com ela naquele momento.
Depois, com o eletricista no chão, o policial militar teria dito: “Pelo amor de Deus, não morre”. Isso tudo durou cerca de 30 minutos. Após o acontecimento, o cabo da PM e o soltado foram afastados do trabalho de rua. O DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e o 18º Batalhão da Polícia Militar investigam o caso.
