São José dos Campos (SP), domingo, 28 de junho de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – A morte da soldado da PM (Polícia Militar), Gisele Alves Santana, 32 anos, no dia 18 de fevereiro, em São Paulo, ganha novos ingredientes. Isso porque o exame necroscópico, divulgado agora, mostra que a lesão que ela tinha no pescoço foi causada por uma pessoa adulta.
No entanto, o marido dela, coronel Geraldo Rosa Neto, 53, preso desde 18 de março, havia dito em depoimento que a lesão no pescoço poderia ter sido causada pela filha de Gisele, de 7 anos. Em fevereiro, a policial militar foi encontrada com um tiro na cabeça, sem vida, no quarto do casal, em apartamento onde viviam no bairro do Brás, região central da capital paulista.
Porém, Geraldo Neto sempre sustentou que a esposa se suicidou com a arma dele, após o mesmo pedir divórcio um dia antes. Porém, as investigações avançaram e passaram de suicídio consumado para morte suspeita e, depois, feminicídio.
Laudo de Gisele no IML descarta lesão feita por criança
Além do ferimento causado pela bala na cabeça, Gisele tinha esse ferimento no pescoço, o qual a investigação acusa o coronel. E o laudo do IML descarta que uma criança de 7 anos tenha feito tal ferimento na mãe no dia anterior.
Inclusive, Tadeu Corrêa, médico legista que assina o laudo, disse no documento que “etiologicamente, a força empregada é de elevada energia e análoga a contexto de preensão em garra para contenção ou imobilização e exercida por sujeito com robustez suficiente a causar a necessária biodinâmica da lesão, características que são insuficientes para uma criança dessa faixa etária”.
Além disso, diz que “não há plausibilidade minimamente racional que uma criança em situação de colo afetuoso de sua mãe possa produzir esse grau de lesão à sua genitora. Como mencionado, as dimensões maiores da lesão em comparação a mão e dedos pequenos da criança e a alta energia empregada são verazmente incompatíveis”.
Coronel está preso e aguarda julgamento
Enquanto isso, o coronel Geraldo Neto segue preso no presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo, de forma preventiva. E aguarda o julgamento para definir se será condenado ou não por matar Gisele.
A prisão do coronel da PM aconteceu exatamente um mês depois do crime, em 18 de março. Na oportunidade, ele estava em seu apartamento em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, onde já tinha trabalhado quando era ainda tenente da Polícia Militar. Agora, a família de Gisele aguarda que a Justiça seja feita pela morte da PM, que deixou uma filha fruto de um relacionamento anterior.
