São Paulo (SP), sábado, 25 de julho de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – Um shopping de São Paulo terá que pagar R$ 1 milhão ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, após uma ação civil pública ajuizada por conta de um episódio de racismo. Isso aconteceu após um acordo firmado entre o Pátio Higienópolis e o MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo).
Em abril de 2025, um adolescente negro foi alvo de discriminação, juntamente com um amigo. Esse caso de racismo foi proferido por uma funcionária terceirizada da equipe de segurança do Shopping Pátio Higienópolis, mas o centro de compras também foi responsabilizado.
Na oportunidade, um inquérito civil, que a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital conduziu, entendeu a responsabilidade do shopping. Esse centro de compras fica em um dos bairros mais nobres e valorizados da capital paulista.
Racismo acontece logo após atividade sobre o assunto
Na oportunidade, os dois amigos estavam no shopping com outra colega de escola, que era branca. Então, o ato de racismo se consumou quando a funcionária perguntou se os meninos estavam pedindo dinheiro a ela, em um episódio conhecido como racismo estrutural.
Coincidentemente, os dois meninos, que cursavam o ensino fundamental 2, tinham saído há pouco de uma atividade em sala de aula que, justamente, debatia o preconceito racial. O aluno era estudante bolsista do Colégio Equipe.
Então, na semana seguinte ao episódio, alunos e professores da escola fizeram um protesto pacífico em frente ao centro de compras. Isso acabou gerando a reação da Justiça, que na ação determinou o acordo.
Além do pagamento milionário, o centro de compras ainda teve que assumir obrigações em relação à proteção integral para crianças e adolescentes. E terá que manter uma espécie de núcleo social com dois educadores e uma assistente social, durante toda a semana. Apenas eles poderão abordar crianças e adolescentes no Shopping Pátio Higienópolis.
Colaboradores terão treinamento periódico
Ainda como resultado desse caso de racismo, a gestão do shopping está obrigada a fazer treinamento periódico com todos os colaboradores operacionais, ao menos duas vezes por ano. No caso, uma consultoria externa irá aplicar o treinamento.
Outro ponto importante é a ampliação dos canais de denúncia e de conscientização antirracista. Durante três anos, o shopping ainda terá que mandar relatórios semestrais ao Ministério Público.
Por fim, o shopping em Higienópolis poderá ser multado e com valor aumentado em caso de reincidência de racismo. E o Ministério Público ressaltou as medidas concretas de combate ao preconceito, após o acordo.
