Efeito Pandêmico: comércio mutuense sofre queda de 40% de sua receita costumeira

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Centro de Nova Mutum / Foto: Walber Almeida
Centro de Nova Mutum / Foto: Walber Almeida

No ultimo mês, o Banco Mundial divulgou um relatório com perspectivas econômicas, onde apontou a previsão de redução de 5,2% na economia global.

A recessão, provocada pela pandemia da Covid-19 é segundo a instituição, a mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial. Provocando um aumento dramático da pobreza extrema no mundo.

Por outro lado, o recuo financeiro esperado para o Brasil gira em torno de 8%, para este segundo semestre do ano. A publicação também aponta que o país está entre os mais afetados. Isso se dá, devido à forte dependência do comércio global, turismo, exportações de commodities e financiamento externo.

Já em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) apontou que o setor varejista foi o mais prejudicado. Com isso, as perdas no comércio mato-grossense atingiram 92% das arrecadações.

Cenário intra-pandemia mutuense

Por outro lado, o município de Nova Mutum (localizado a 250 km de Cuiabá), que está em segundo lugar como maior produtor de grãos do estado, também sofreu os impactos da pandemia.

Além da produção agrícola, a cidade também possui sua maior captação de renda baseada no comércio. E de acordo com dados da Associação Comercial e Empresarial de Nova Mutum (Acenm) e Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Mutum (CDL), a queda no faturamento foi de 40%.

O gerente administrativo da instituição, Rodrigo Rigoni, explica que acredita em uma restauração da economia, gradual, porém efetiva. Ele também aponta que o período está servindo para trazer mudanças, aprendizagem e novas alternativas para o comerciante local.

“Cerca de 40% dos ganhos se concentravam em eventos, cursos, palestras, feiras, treinamentos, etc. e com a pandemia tudo isso foi proibido. Dessa forma tivemos que buscar outra forma de receita de produtos e serviços para seguir dando fluidez A`economia, conforme possível. Prorrogamos as mensalidades para os associados e também suprimimos todos os juros e multas, numa tentativa de dar um respiro, para que possam se organizar, diante de tudo isso. E vendo pelo lado bom de tudo isso que está acontecendo, o empresário que antes não fazia contas, hoje está aprendendo a fazê-lo e aos poucos o começando a ser parte ativa de seu negócio”, justificou.

O outro lado

O empresário e licenciado em Educação Física, Daniel Hammerschmitt, que é proprietário da CF642 academia de esporte, da modalidade crossfit, explica como tem lidado com a crise, uma vez que todas as academias do município foram impedidas de trabalhar normalmente, por decreto. Podendo atender apenas como personal trainer.

“Nossa fonte de renda vem da mensalidade paga pelos alunos. E com as paralisações por conta do decreto o cliente não está recebendo o serviço, e isso acabou diminuindo nossa receita. Estamos tentando manter a cobrança dos clientes, pensando em transformar estes pagamentos em crédito posterior. Por enquanto, estamos conseguindo manter as aulas online, pelo Instagram”, explicou.

O medo de ser assolado pela doença é real ao ponto de paralisar as pessoas, de atividades que antes eram tidas como corriqueiras, como a prática de esporte e até mesmo o labor.

E foi pensando nisso que Alexia Barcellos, de 22 anos, resolveu deixar seu emprego na loja onde trabalhava. Ela explica que a irresponsabilidade e incredulidade das pessoas, diante do Coronavírus a deixava insegura.

“Eu sempre observava e via que nem todo mundo respeitava as regras de distanciamento social, uso do álcool em gel e até mesmo das máscaras corretamente. Comecei a ter medo de contrair o vírus, ou quem sabe passar isso pra minha família. Então conversei com todos de casa, e resolvi me afastar, porque estava preocupada comigo e com eles também. Estou preocupada com as contas, obviamente, todo mundo está preocupado, porque esta pandemia veio pra impactar todo mundo. Mas a minha vida e a da minha família não tem preço”, esclareceu.

Desemprego no Brasil

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 11 milhões de brasileiros perderam o emprego, só no mês de maio.

Outros 14 milhões estavam afastados, devido ao isolamento social e férias coletivas. Numa tentativa dos patrões de minimizar despesas e tentar honrar com os compromissos do dia a dia.

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