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Movimento Black Money: transformação da realidade empreendedora de pessoas negras; saiba mais

Movimento busca desenvolver negócios, circulando capital financeiro e de informação entre a população negra. Confira a entrevista exclusiva do Diário Prime, com um dos fundadores do movimento!


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02 de dezembro – O termo Black Money surgiu nos Estados Unidos para se referir ao dinheiro ilegal. Porém, essa expressão foi ressignificada pela população negra para estimular o consumo de produtos e serviços gerados por eles, chamado dinheiro negro.

De acordo com o Instituto Locomotiva, os negros movimentam aqui no país R$ 1,7 trilhão por ano da economia; porém, recebem uma média de R$ 1.200 a menos que os brancos.

E apesar dos negros serem maioria entre os empreendedores no Brasil, os brancos ainda dominam o espaço na renda e escolaridade, aponta pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), com apoio do Sebrae.

A cada 100 brasileiros negros de 18 a 64 anos, 40 são empreendedores. Ou seja, a taxa total de empreendedores negros soma 40,2% enquanto os brancos totalizam 35%.

Cerca de 19,2 milhões de brasileiros se autodeclaram pretos, sendo 4,7 milhões a mais em comparação com o ano de 2012, aponta levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em contrapartida, os brancos somavam 89, 7 milhões em 2018, contra 92,2 milhões em 2012.

Movimento Black Money foca na inovação para inserção e autonomia da comunidade negra

O racismo estrutural, a falta de qualificação profissional ou desemprego reforçam o empreendedorismo por necessidade. Em sua maioria, os afro empreendedores trabalham com menos funcionários e possuem menor acesso ao crédito.

Diante deste cenário de desigualdade, o movimento Black Money (MBM), fundado pelo empreendedor social e educador financeiro Alan Soares e pela executiva de TI Nina Silva, surge como um hub de inovação a fim de trazer autonomia para a população negra, estimular a geração de negócios e, consequentemente, aumentar as oportunidades de trabalho.

Neste contexto, o afroempreendedorismo é uma proposta de engajamento, um canal de discussão sobre assuntos extremamente relevantes para a sociedade. A partir do momento em que a população se autodeclara negra e começa a consumir produtos e serviços voltados para as suas raízes, há um fortalecimento do potencial econômico desses empreendimentos e, consequentemente, o poder de decisão e consumo consciente dessa comunidade.

Entretanto, essa necessidade de fortalecer a comunidade negra através do desenvolvimento social, educacional, comercial e industrial surgiu ainda na década XX com Marcus Garvey, jamaicano e um dos maiores ativistas do movimento nacionalista negro.

Ele impulsionou o resgate dos valores Africanos e estimulou o orgulho negro, influenciando líderes como Malcom X e Martin Luther King Jr.

Um dos criadores do movimento, Alan Soares, nos concedeu uma entrevista para explicar com mais detalhes como funciona o Movimento Black Money. Confira:

 

DIARIO PRIME NEWS: Como surgiu o Movimento Black Money?

ALAN SOARES: O MBM surgiu devido a 37 anos de opressão de que eu, Alan, como um homem preto vim sofrendo, e 37 anos de opressão da Nina, com uma mulher negra vem sofrendo e que não somente nós, mas historicamente, os 400 anos de pós-escravidão e todo o corpo o colonialismo existentes na África.

Ele [O movimento] é inspirado nas ideias Panfricanalistas e de Marcus Mosiah Garvey, por isso nos consideramos Garveyistas, e o MBM surge como um contraponto a supremacia branca e principalmente ao movimento ultraconservador de direita.

DPN: Qual o diferencial que a MBM traz sendo uma empresa que tem a negritude em sua essência?

AS: Em essência, o MBM é um movimento, uma energia, ele deriva da cosmovisão africana, então ele é mais do que um CNPJ. O MBM ele traz no seu DNA a cor de uma visão africana o rompimento com tudo aquilo que não identificaram como preto

DPN: Existe algum projeto de capacitação para negros desenvolvido pela MBM?

AS: O movimento black money ele tem o Afrikatec, que seria uma África livre e tecnológica, então por isso que o nome afrikatec.

Ele entrega para a comunidade conteúdos na área de tecnologia e também são focados em vendarketing, no caso que são vendas e marketing, além de desenvolvimento web. Nós estamos formando nossa comunidade para as demandas do futuro.

DPN: Como você vê o futuro de empresas e projetos que se dedicam ao empoderamento negro?

AS: Eu sempre levanto a questão de que se é realmente uma empresa que vem trabalhando com empoderamento negro, porque eu tenho visto muito na questão de empresas que dizem ser diversas com uma forma de ficar bonita na foto e também para não sofrer ataques na mídia.

Mas sempre é relevante fazer a pergunta: quais são os negros que estão nos cargos de liderança? qual o percentual de negros nos cargos de liderança? Qual o turnover das pessoas negras nas empresas?

DPN: O racismo já afetou o Movimento de alguma forma?

AS: O racismo está na estrutura social brasileira, então não tem como não afetar o movimento. O MBM nasceu porque o racismo existe, racismo institucional, o racismo estrutural e os assassinatos da comunidade negra.

Uma pessoa negra morre a cada 23 minutos, um empreendedor negro tem quatro vezes mais dificuldade para acessar crédito, você tem a comunidade negra na média ganhando cerca de 43% a menos do que uma pessoa branca. Então a essência do país, a desigualdade do país, ela tem cor e raça.

DPN: Como a força afro-brasileira pode mudar o cenário econômico e social do nosso país atualmente?

AS: De acordo com dados do Instituto Locomotivo, 1.7 trilhão de reais foi poder de consumo da comunidade negra entre 2017 e 2018. Se houvesse uma igualdade de Salários entre pessoas brancas e pessoas negras, seriam injetadas 800 bilhões de reais na economia.

Imagina que nos próximos 10 anos nós conseguimos perpetuar e botar nossa agenda em andamento. Nossa agenda condiz em no mínimo 30% do consumo das famílias pretas sejam transacionados dentro da comunidade Negra.

Ou seja, bancos pretos emprestando para empresas pretas, capitando de pessoas pretas, essas pessoas prosperando em seus negócios, contratando outras pessoas pretas… Eu estou falando de legado, eu estou falando de poder

DPN: O que você espera que a MBM deixe para as próximas gerações?

AS: Criar uma comunidade preta e forte ao redor do mundo, que nós possamos continuar nos conectando com nossos irmãos negros nos Estados Unidos, no Caribe, na África… que possamos levantar a bandeira do panafricanista e que possamos desenvolver uma geração de políticos e identificados com a comunidade negra.

Para quem desejar obter mais informações sobre o Movimento Black Money, basta acessar o site: www.movimentoblackmoney.com.br


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