São Paulo (SP), segunda-feira, 6 de julho de 2026, por Marcos Eduardo Carvalho – José Simonal Teles de Santana, pai da PM Gisele Alves Santana, 32 anos, morta no dia 18 de fevereiro, se emocionou durante a audiência de instrução onde o genro, o tenente-coronel Geraldo Leite Neto, 53, é réu por feminicídio. Bastante emocionado, seu José chorou várias vezes na conversa, feita de forma online, na última semana.
Ainda durante o depoimento, o pai da PM Gisele novamente descartou qualquer possibilidade de suicídio da filha, versão sustentada por Geraldo Neto. Além disso, reforçou que o marido da filha queria ter total controle e domínio sobre a mulher.
“O negócio dele era controlar ela”, disse seu José em parte do depoimento. Inclusive, o pai da vítima disse que alertou a filha várias vezes de que o casamento não daria certo e a alertou sobre os riscos que corria.
Pai de Gisele diz que Geraldo exibia condição financeira
Em outro trecho do depoimento, o pai de Gisele ainda disse que Geraldo Neto gostava de dizer que bancava tudo em casa e que a esposa era dependente financeiramente dele. Na audiência, seu José disse que, antes mesmo de o conhecer pessoalmente, o tenente-coronel o adicionou no whatsapp, assim como Marinalva, sua esposa.
E, nas primeiras conversas, começou a falar sobre dinheiro, falava o quanto ganhava, que tinha carros e apartamentos. Com isso, Marinalva o bloqueou, mas José quis o manter por perto para saber qual era a real intenção dele. “Como é que você vai conhecer uma família e já vem falando: ‘Eu tenho isso, minha profissão é essa, eu ganho tanto’?”, indagou o pai da vítima.
Depois, seu José destacou que Gisele era muito feliz, amava a filha de 7 anos, fruto de relacionamento anterior e que jamais acabaria com a própria vida. “Ela era uma moça feliz, cheia de paz. Gostava de viver. Ela só queria viver”, afirmou.
Crime aconteceu no apartamento do casal
Gisele morreu no dia 18 de fevereiro com um tiro na cabeça dentro do quarto do casal no apartamento em que viviam no Bras, região central de São Paulo. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, já que Geraldo Neto ligou para o 190 e chamou o resgate, dizendo que ela tinha se matado.
Mas, com o avanço das investigações e o surgimento de novas provas, o caso passou para morte suspeita e, em seguida, para feminicídio. Então, no dia 18 de março, Geraldo Neto foi preso preventivamente e levado para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo. Em entrevistas antes de ser preso e nos depoimentos, ele sempre negou o crime.
