Bolsonaro x Folha de São Paulo: Quem vai Vencer essa Queda de Braço?

0 50

Os ânimos se acirraram de vez entre o Presidente Jair Bolsonaro e a Folha de São Paulo. Após o Presidente fazer duras críticas à Folha na sexta-feira, 29, no sábado, 3, foi a vez do jornal se manifestar. E de uma maneira nada amigável também. Valendo a máxima de que quem chicoteia merece ser chicoteado, a Folha se derramou em insultos ao Presidente.

Em nota publicada pelo editorial de ontem (sábado) o tom subiu severamente. Assim como fez o Presidente, a Folha de São Paulo também manifestou duras críticas a ele. Em um dos momentos mais tensos os termos utilizados foram os seguintes:

Jair Bolsonaro não entende nem nunca entenderá os limites que a República impõe ao exercício da Presidência. Trata-se de uma personalidade que combina leviandade e autoritarismo. Será preciso então que as regras do Estado democrático de Direito lhe sejam impingidas de fora para dentro, como os limites que se dão a uma criança.

Confira: Jair Bolsonaro comemora crescimento do emprego no Brasil.

Por Que a Folha de São Paulo Lançou esse Editorial

Há muito estamos acompanhando os desentendimentos entre o Presidente Bolsonaro e a Folha de São Paulo. A troca de acusações e insultos tem sido comum entre eles. A Folha lança reportagens atacando a figura do Presidente e ele responde à altura. Isso se tornou um círculo vicioso.

Contudo, um fato inusitado de sexta-feira, 29, tornou as coisas ainda mais difíceis: o fato de o Governo excluir a Folha de São Paulo de um processo de licitação de periódicos publicado pela União. Indignada pela atitude do Governo, a Folha se manifestou com severidade numa extensa nota que citamos uma parte anteriormente.

O teor foi bastante duro, apesar da linguagem mais elitizada. Em tom agressivo, Bolsonaro é chamado, por exemplo, de anti-republicano, leviano, autoritário e infantil. Também deixa subentendido que ele seja incontido e patrimonialista. Os insultos de fato foram muitos e pensados para atingir o ego do Presidente.

Fogo Trocado

A linguagem utilizada pela Folha de São Paulo foi mais elitizada, diferente da linguagem popular que o Presidente utiliza. Mas não há diferenças entre os resultados alcançados, já que a ideia de ambos é ferir o outro. Uma guerra de gigantes que está estremecendo as bases da democracia brasileira.

O que temos visto, portanto, é um circo de horrores que assistimos sem reação, aguardando as cenas do próximo capítulo. Sequer temos ideia de qual será o resultado, já que esse é um fato inédito em nossa sociedade pós-redemocratização.

Leia também: Bolsonaro: Folha de São Paulo não serve nem pra forrar galinheiro.

Reprodução de imagem do site O Globo/ Folha de São Paulo
Reprodução de imagem do site O Globo/ Folha de São Paulo

Especialistas se Posicionam sobre o Assunto

Ontem (sábado) a Folha de São Paulo divulgou uma reportagem apresentando o posicionamento de dois juristas sobre o assunto: Ayres Brito, ex-ministro do STF, e Gilson Dipp, ex-ministro do STJ. Em termos gerais, para ambos a atitude do governo configura ilicitude, abuso de poder e quebra de decoro.

Os ex-ministros apontam para os princípios da Administração Pública e dizem que o governo feriu a impessoalidade e a moralidade. Ao menos esses. Além disso, eles indicam que a ação fere a lei de licitação e de improbidade administrativa. Ou seja, de acordo com os juristas, há espaço para que a ação seja revista. E, ainda, que o Presidente tenha sérios problemas devido a isso.

Por outro lado, Bolsonaro tem algo fundamental para embasar suas decisões: o apoio popular. E devido a isso ele já testou vários limites da democracia, muitas vezes triunfando sobre eles. Afinal, o povo é o detentor do poder, legitimado pela Constituição Federal. Existem limites, é claro. Mas quando o povo se insurge e decide ser o autor dos seus direitos, há abalos na sociedade. E é isso o que estamos vendo acontecer.

A sociedade averba uma decisão autoritária do ponto de vista legal. O prejudicado recorre aos princípios democráticos para resguardar seus direitos. Mas o que pode acontecer quando o povo se posiciona contra esses princípios é algo inimaginável. Daí surgem as revoluções que mudam completamente os rumos de uma nação.

Portanto, a luta entre Bolsonaro e Folha de São Paulo pode ter um desfecho inimaginável. Não podemos sequer traçar projeções, porque o futuro é nebuloso. Afinal a luta não é somente uma disputa jurídica: é uma batalha entre ideologias.

Você também pode gostar: Bomba: Senadora Selma e Senador Styvenson denunciam manobra para sepultar a prisão após segunda instância.

deixe uma resposta

seu endereço de e-mail não será publicado