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Coleta de dados pessoais do Facebook inspira novo documentário do Netflix

Segundo estimativas, dados dos usuários são uma mercadoria mais valiosa do que petróleo no mundo de hoje

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A mercadoria mais importante do mercado atual não é o petróleo, ou mesmo bens manufaturados, mas dados pessoais que as pessoas tentam manter em segredo a qualquer custo em seus computadores, nos smartphones e em outros dispositivos digitais.

Dados que, aparentemente seguros atrás de senhas e de sistemas firewall, estão à mercê dos mais diversos tipos de ataques, segundo relatórios publicados neste ano por diversas entidades mundiais. Um dos mais recentes escândalos tecnológicos aconteceu nos Estados Unidos, quando a Justiça descobriu que milhões de pessoas tiveram seus dados pessoais vazados para uma empresa chamada Cambridge Analytica.

Segundo analistas, o que hackers e empresas como a Cambridge Analytica fazem é vender informações dos cidadãos para a construção de campanhas políticas. Em outras palavras: os dados pessoais servem para manipular a intenção de voto dos cidadãos, de modo a garantir que eles votem em determinados candidatos.

O método foi comprovadamente usado para eleger Donald Trump, nos Estados Unidos, e também teve influência no processo eleitoral brasileiro no ano passado, que terminou com a vitória de Jair Bolsonaro.

O caso Cambridge Analytica

Em 2014, um quiz realizado pelo próprio Facebook a respeito da personalidade dos usuários foi distribuído para cerca de 305 mil pessoas que, soube-se depois, tiveram seus dados e os dos seus amigos coletados.

 

Isso resultou em mais de 87 milhões de pessoas cujas informações pessoais foram parar em uma base de dados supostamente inviolável. O problema é que parte dessas informações acabou vazando para a Analytica, que teria usado para manipular votos que elegeram Donald Trump.

A história acabou de chegar ao cinema por meio de um documentário produzido pelo Netflix chamado The Great Hack. Segundo os produtores, a intenção foi alertar a população de todo o planeta sobre uma prática perigosa que está acontecendo em várias partes do mundo.

O documentário segue três pessoas que estavam envolvidas diretamente no escândalo da Cambridge Analytica. Karim Amer, um dos diretores da fita, disse ao jornal britânico The Guardian que a empresa criou um sistema manipulador de atuação indireta em campanhas políticas nos Estados Unidos, cujas atividades teriam iniciado já durante o mandato do presidente Barack Obama.

“Chega-se à conclusão de que o Facebook, assim como quaisquer outras redes sociais, podem ser vistas como verdadeiros cenas de crimes. Virtuais, é claro, mas ainda assim perigosíssimos”, disse ele.

Os envolvidos no documentário comparam o Facebook em especial a um boneco de vudu. Para eles, a rede social está constantemente moldando os pensamentos dos seus usuários, convidando-os dia após dia a dar a liberar suas informações mais pessoais.

Senhas

Há medidas que ajudam a se proteger: uma delas é ter uma senha segura de acesso ás redes. A senha mais fácil do mundo costuma vir até salva quando se compra um celular, notebook ou algum outro dispositivo: “123456”. Alguns hackers já contaram que, na tentativa de driblar os hackers, muitos usuários aumentam suas senhas até o número 9 — a segunda mais insegura do mundo.

No começo de maio, a National Cyber Security Centre (NCSC), uma agência britânica de investigação de delitos informáticos, publicou uma lista com todas as senhas mais fáceis de se descobrir do mundo virtual. O relatório inclui 100 mil códigos comuns dos usuários e que já foram descobertos por ciberataques globais.

 

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