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CAPES anuncia novos cortes de bolsas de pós-graduação no Brasil

Ao todo, houve um bloqueio de 2.724 bolsas por todo o país


A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) anunciou, aos 4 de junho, em coletiva, novos cortes de bolsas. Em entrevista coletiva dada às 16 h (Horário de Brasília) no Auditório da CAPES, em Brasília, os cortes de bolsas foram anunciados. Além disso, houve anúncio da prorrogação de prazos para o Programa Institucional de Internacionalização (PRINT). Primeiramente, foi anunciada como mudança na concessão de bolsas de cursos com nota 3 na Avaliação da CAPES. Todavia, o corte deve prejudicar milhares de alunos e, também, o desenvolvimento da pesquisa no Brasil.

Avaliação CAPES: como funciona o critério utilizado para determinar os cortes de bolsas?

Conforme o que foi anunciado pela CAPES, os cortes  de bolsas atingiram cursos que nas duas últimas avaliações tiveram notas 3. Além disso, atingiram aqueles que registraram redução da nota de 4 para 3 na última avaliação realizada pelo órgão.  Mas como funciona essa avaliação? Tal avaliação foi criada em 1976. Assim, serve como instrumento de grande para concessão de auxílios e nortear investimentos, nacionais e internacionais. Todo ano, pela Plataforma Sucupira, dados de pesquisadores de todo o país são recolhidos. A cada 3 anos, a CAPES atribui uma nota de 1 a 7 aos programas de pós-graduação. Com 1 e 2, o programa é desqualificado; 6 e 7, programa de excelência.

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Os cortes de bolsas CAPES nos programas nota 3 e 4 seria cortar daqueles que não produzem?

A resposta é não. Primeiramente, uma queda nas notas pode ser circunstancial. Ela pode ter acontecido, por exemplo, devido ao programa de pós-graduação ser recente. Um programa recém criado, necessariamente, teria uma nota 3. No melhor cenário possível, chegaria no nível de excelência em mais de uma década. Em segundo lugar, programas de excelência, podem sofrer quedas por problemas localizados. Por exemplo, foi o caso do programa de História Econômica da Universidade de São Paulo (USP), em avaliação recente.  Cortes de bolsas CAPES podem gerar mais quedas de notas.

Cortes de Bolsas CAPES pode gerar desigualdades regionais de qualidade nas Universidades

Em 2017, a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), se reuniu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lá, o professor Isac Medeiros, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mostrou números preocupantes. De acordo com ele, a distribuição de recursos, como bolsas de pós-graduação, é extremamente desigual, por região. Segundo ele, enquanto a região sudeste recebe cerca de 50% dos recursos, as regiões norte, nordeste e centro-oeste, juntas recebem apenas 29%. Muitos dos programas novos, de nota 3 e 4, estão justamente nas regiões menos favorecidas. Cortes de bolsas CAPES, assim, prejudicaram regiões já prejudicadas.

Brasil investe muito pouco em ciência

De acordo com levantamento da UNESCO, o Brasil tem cerca de 800 cientistas para cada milhão de habitantes. A fim de se ter um parâmetro, a União Europeia tem 3,2 mil, Argentina 1,2 mil, Estados Unidos, 4,3 mil, respectivamente. Israel e Coreia do Sul passam de 8 mil, nesse quesito. Além disso, o Brasil investe somente 1,27% do PIB em Ciência, conforme dados do Banco Mundial. Países desenvolvidos chegam a mais de 4%. Assim, os cortes de bolsas CAPES agravam esses problemas.

Protestos contra cortes nas ciências

Créditos da Imagem: reprodução Folhapress/ bolsas de estudo


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