Vagas de emprego, governo Bolsonaro quer transformar Sine em “Tinder” e facilitar contratações

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Agência do trabalhador em S. J. dos Pinhais, no Paraná. Foto: Daniel Castellano /Gazeta do Povo/Arquivo

O governo Jair Bolsonaro quer ampliar o acesso de empresas a milhares de currículos de pessoas desempregadas que estão no Sistema Nacional de Emprego (Sine), e dessa forma aumentar o preenchimento de vagas de emprego.

A ideia foi batizada de “Open Sine” no Ministério da Economia e tem por objetivo abrir os dados dos trabalhadores, de maneira voluntária, a fim de aumentar a chance de pareamento entre vagas e potenciais empregados.

Embora tenha uma rede de alcance nacional, o Sine não é utilizado por muitas empresas, que preferem desenvolver programas próprios de recrutamento ou contratar agências privadas na hora de preencher as vagas de emprego.

Dessa forma, o governo quer que essas agências e as empresas tenham acesso aos dados que são coletados pelo Sine, por exemplo, quando o trabalhador faz o registro no seguro-desemprego. E também os currículos dos que vão às agências estaduais em busca de vagas.

Com isso, espera fomentar um mercado de empresas interessadas em fazer o “match” (pareamento), por meio de aplicativos e novas tecnologias, uma espécie de Tinder do mercado de trabalho.

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Foto: reprodução

Os estudos começaram a ser desenvolvidos na nova secretaria especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, do Ministério da Economia. Chefiada pelo economista Carlos da Costa, a secretaria herdou parte das atribuições do antigo Ministério do Trabalho, que foi extinto na gestão do presidente Jair Bolsonaro.

A avaliação é que o atual sistema não vem conseguindo cumprir o objetivo que é aumentar o preenchimento das  vagas de emprego. Essa é uma das agendas que o secretário considera emergencial, uma vez que o número de desempregados e subocupados chega a 27 milhões.

Em alguns estados, diz Costa, a efetividade do Sine é baixíssima, com uma taxa de sucesso (em parear trabalhador e vaga) inferior a 0,5%. “Precisamos entender quais são os dados [dos trabalhadores] que facilitam o ‘match’. Mas não seremos nós, o Estado, que vamos ter estrutura para captar as vagas de emprego nas empresas e fazer este ‘match’. Deixa startups fazerem isso, deixa o mercado se encarregar”, afirma Costa.

“Essas empresas não fizeram isso até hoje porque não tinham acesso aos dados e porque não viam oportunidade, com o governo querendo fazer tudo, querendo captar a vaga de emprego, e também  ir na empresa.

Temos que facilitar em vez de atrapalhar”. O secretário argumenta que a liberação dos dados pelo governo para o setor privado contará com um sistema de segurança e proteção das informações.

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Segundo o economista Bruno Ottoni, do Ibre/FGV e da consultoria iDados, países que investiram na melhora do sistema de intermediação, como o Sine, obtiveram respostas positivas na redução do desemprego, como foi o caso da Alemanha.

Em países como o Brasil, em que a rotatividade do trabalhador é elevada, a intermediação é ainda mais relevante para reduzir o desemprego, afirma ele. Isso porque o mecanismo reduz o tempo de espera entre um trabalho e outro pelo empregado.

Mas, segundo ele, o maior desafio para a plataforma brasileira é aumentar o seu uso, tanto por desempregados quanto por empresas. Vagas mais bem remuneradas, por exemplo, não costumam passar pelo sistema.

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