Empresário de Nova Mutum questiona novo decreto e se diz contrário a algumas decisões; entenda

Apesar disso, ele reconhece que no geral o Comitê Municipal tem feito um bom trabalho, mas exige que assuma e corrija publicamente algumas falhas

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Pedro Moraes / Acervo pessoal
Pedro Moraes / Acervo pessoal

O Diário Prime realizou uma entrevista exclusiva com Pedro Moraes, onde ele explica sua indignação com a distinção feita no tratamento entre lanchonetes e restaurantes, outorgada pelo Decreto Municipal nº 111 de 14 de julho de 2020.

De acordo com as normas do novo decreto, enquanto restaurantes podem funcionar até as 20:30 e após este horário, fazer entregas delivery até as 22h, lanchonetes por outro lado, não poderão manter suas mesas e cadeiras montados no local. E deverão atender somente com retirada em balcão até as 20:30, ou delivery durante todo o dia, e exclusivo após este horário, indo até as 22h.

Pedro Moraes, tem 38 anos, é Engenheiro Agrônomo formado pela Unesp de Botucatu – SP; e fundador das empresas Lotefácil e Centúria Construtora. Morador de Nova Mutum desde 2005, é casado com Geovanna Tolazzi Moraes, proprietária da Miss Coffee Cafeteria.

Diário Prime: Na sua opinião, quais os prejuízos que podem ser acarretados, diante da manutenção de funcionamento de restaurantes, com atendimentos no local, enquanto as lanchonetes e similares não?

Pedro Moraes: Em primeiro lugar é preciso corrigir a injustiça que o decreto trouxe. Hoje empresas iguais estão sendo tratadas de forma diferente. E isso é inaceitável. Segundo, essa situação gera tremendo desânimo nos empresários atingidos pela proibição, um enfraquecimento de toda uma categoria de empresas que deixará de crescer e muito provavelmente encerrará suas atividades se isso continuar por muito tempo. E em terceiro, você tira do cidadão a opção de escolha de um produto mais barato, ou apenas mais rápido, ou seja, as vezes uma pessoa que esta na rua e precisa de um lanche rápido para poder voltar para casa, agora vai acabar ficando fora mais tempo por não ter essa opção.

DP: Acredita que esta distinção vai favorecer a alguém em específico? Por quê?

Pedro Moraes: Eu não acho que isso aconteceu para beneficiar ninguém. Acredito que a intenção foi boa. O problema é que o Comitê não deveria ter tanto apego nas suas decisões, quando percebe que errou deveria focar em corrigir o erro, mas ao contrário tudo o que eu ouvi foram frase como: “você prefere que feche tudo?” ou “em outra cidade está tudo fechado, pelo menos aqui tem alguns podendo trabalhar…”ou ainda “foi feito assim por que tem um bar onde fica a noite inteira com gente aglomerando…”, ora, se alguém agir errado que se puna essa pessoa e não toda a categoria que a empresa dela pertence. Enfim, eu acho que falta um pouco de empatia com as empresa, acredito que estamos no caminho, tenho certeza que o comitê esta fazendo muito mais coisa do que a gente é capaz de perceber, mas é preciso reconhecer esse tropeço e corrigi-lo.

DP: Na sua opinião é justo estabelecimentos que tem o mesmo produto (no caso alimentos e bebidas) terem algumas regras diferentes? Qual seu posicionamento sobre isso?

Pedro Moraes:  Claro que não! E esse é exatamente o ponto: hoje setores equivalentes estão sendo tratados de maneira diferente. E isso se chama: injustiça! A mesma preocupação que existe para a lanchonete existe para o restaurante. Isso é óbvio. Se pode um o justo é poder o outro.

DP: Diante do que vem acontecendo, e que tende a se agravar mais ainda, agora com o novo decreto, qual solução você sugeriria às autoridades locais ?

Pedro Moraes: A única coisa que eu peço é sensibilidade e empatia. Ajustem o decreto. Não é coerente permitir que Restaurantes, Pizzarias e Sorveterias atentam seus clientes e proibir Lanchonetes. As mesmas medidas que protegem as pessoas nos restaurantes podem ser utilizadas nas Lanchonetes. Ninguém quer prejudicar ninguém, queremos trabalhar, mas queremos que a regra seja justa para todos. O comércio pode continuar trabalhando mas não pode ceifar o direito de ninguém, não sem pelo menos deixar muito claro o porque. Senão a coisa toda perde o sentido.

DP: Tem recebido reclamações dos clientes costumeiros, sobre a proibição da permanência no local? (Se sim, do que eles mais relatam ter indignação??)

Pedro Moraes: Sinceramente na situação em que estamos o contato com só clientes está praticamente nulo. 100% das vendas estão sendo feitas por aplicativo e telefone. Todo dia vem clientes aqui, e sempre saem desapontados quando explicamos que não podemos atendê-los. Porque eles precisavam apenas lanchar algo simples e rápido para seguir nas tarefas do dia e até para poder voltar mais rápido para casa, e quando isso não se torna mais possível, fica evidente a decepção.

DP: Tem alguma coisa que gostaria de ressaltar, nas considerações finais?

Pedro Moraes: O que eu espero é que a pessoa, ou as pessoas que têm o poder de decidir vejam essa injustiça. Espero que entendam que é preciso tratar empresas iguais de forma igual, por que sem isso não é possível acreditar que as decisões estão sendo tomadas com o bem da população. É preciso que se possa errar nesse momento, e quando se erra, possa se corrigir e seguir em frente, eu não acho que esse erro no decreto foi intencional, mas não corrigir com certeza o será.

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